Ir

Nunca é fácil. Ir para o primeiro dia de aula na escola, na faculdade, no trabalho. Ir jantar pela primeira vez com o namorado, conhecer a sogra, embora de casa. A dificuldade é intrínseca ao verbo ir. Ir, deixar ir, deixar-se ir. Tudo remete a movimento, rotatividade, mudança. E como as mudanças fazem a gente se endurecer atrás do escudo natural, o medo que ela desperta é o que faz dela tão poderosa. O que não se teme não exerce poder nenhum, afinal.

Ir é libertar-se e pra se libertar você tem que abrir algumas feridas, alguns cortes, para que tudo o que tem vida possa sair e te transformar em outro. Ir é saber que algumas coisas vão mudar, mas que ainda assim você tem todas as ferramentas pra continuar fazendo o que sempre fez. Ir é saber reconhecer a essência das coisas e como tudo isso pode se relacionar com o seu eu, ido e mudado. Ir é apostar e perder. Ou ganhar.

Deixar ir também é igualmente difícil. Se a saudade te mata por dentro é porque o ir está agindo em você. O ir é implacável: cedo ou tarde todos vamos. E quando essa hora chegar, você provavelmente não vai estar preparado. E vai sofrer e vai doer. São as feridas do ir cravando em você o que de mais importante você vai levar. São os cortes que a vida te abre e que vêm acompanhados de bálsamo. O ir também pode vir carregado de amor.

Deixar-se ir, por sua vez, pode ser ainda pior. Se jogar, acreditando ou não em alguma coisa, é dom de poucos. Deixar-se ir e ver que tudo o que te espera vai ser ainda melhor do que o que te prende a algum lugar pode ser um santo remédio pra dor do ir. As feridas do ir agora te ferem pessoalmente, como briga pessoal e intransferível. Agora é você olho no olho com você mesmo. Os cortes são grandes e você precisa se renovar. Você tem que deixar tudo o que passou, mas levar com você a cicatrizes do ir. Agora o ir vem, te arrebenta no meio, mas você segue firme. Você vai seguir muito melhor. Recarregado, renovado. As feridas do ir podem te fazer bem.

Ir quase nunca é bom.
Mas sem ir, como é que se chega a algum lugar?

Montevidéu, 20 de dezembro de 2010. meu último dia na capital sorriso do uruguai.

Posted in Uncategorized | 1 Comment

Tempo que não finda

Eis-me aqui. Com um documentário de rádio para editar, com Led Zeppelin no fone de ouvido e com uma sensação de urgência no peito que martela, martela e insiste em não passar.

Se o tempo é de despedidas, posso dizer que hoje é o pior dia de todos, na saudosa e ensolarada Montevidéu. Minha irmã argentina está aqui, do meu lado, tentando enfiar suas 1001 aquisições uruguaias numa mochila. Tá meio tristona, não quis dar uma voltinha final na cidade com a gente hoje de manhã, nem nada. Só quer preparar, sozinha, o espírito pra voltar à Córdoba amada.

No fundo, é o que todo mundo quer. Preparar-se para a volta. Diferentes? Iguais? Animados? Cada um vai voltar à sua maneira. Eu, feliz. Volto de alma lavada e eternamente agradecida a essa toda essa gente boa que eu conheci pelas bandas do sul do mundo. O meu regresso está regado de gratidão por cada palavra de apoio, por cada piada em espanhol, por cada música com meu sobrenome, por cada vez em que ficamos na sala, vendo tv e tomando iogurte, compartindo aquilo como se comparte com a própria família. Por poder ter sido exatamente o que eu sou e por ter conquistado tantos queridos companheiros de jornada.

A Flor foi e é uma luz pra mim. É, com todos os méritos, uma amiga que não deixo aqui. Uma companhia que vai me seguir e que vai me levar com ela, por onde quer que a gente ande. Foi com essa argentina que eu derramei as minhas lágrimas mais doloridas a cada dia 01. Com a voz tranquila e a delicadeza de um ursinho, ela é como um ponto de equilíbrio, já que de mim só se pode esperar a macheza natural. Ao mesmo tempo, ela é uma monstra pra correr atrás daquelas coisas que todo mundo tem que correr e ninguém corre. Com ela passava noites e noites treinando meu mau castelhano com conselhos, dúvidas e conversas sem fim. Dela, escutei as melhores histórias e reconheci, de maneira prática, que, para ser bom, você não precisa se sujeitar a tudo e a todos.

Ela é, disparado, a pessoa que mais mudou ao longo da nossa estadia aqui. Se libertou, se abriu pro mundo e pra vida. “Vamos viver o tudo que há pra viver”. É assim que ela vive. E como viver com ela me fez bem.

À Flor, minha querida amiga argentina, eu desejo tudo o que eu desejo aos meus irmãos. Que ela consiga ensinar as pessoas a serem tão grandes como ela é. Que possa trilhar seu caminho em paz e que as conquistas venham, brotem, caiam, como água divina que vem do céu.

E mesmo ela não sabendo o que é Copa América, Córdoba nos espera em julho do ano que vem.

Te voy a extrañar, mi hermana!

Aquele abraço

Posted in Uncategorized | 4 Comments

Que no sea un adiós

Aberta a temporada de despedidas. Lauti, um dos meus amigos mais queridos nesse lugar vai embora hoje. E provavelmente eu vá dedicar um post para cada um que esteja indo e levando um poquinho do meu coração pela américa latina porque eu ando bem marica e não nego.

Ontem tivemos uma festa de despedida com assado argentino, fernet argentino, amor argentino. Teve discurso, gente chorando, se mostrando como realmente é, dedicando todo o carinho que o outro desperta. Teve caderno de recordações, vídeo institucional do intercâmbio, gargalhadas e grapa miel na sala. Teve alegria, também. E muita. E como é bom sentir isso. Não conheço seus pais, seus irmãos e nem o lugar onde você mora, mas em 4 meses você foi o que eu tive de mais importante. Na essência, é conquistar o objetivo de amai-vos uns aos outros, em qualquer parte do mundo.

Eu, futebolística que sou, sempre hostilizei a Argentina em tudo o que podia. Mais uma vez, a vida tratou de me mostrar que eu nasci pra morder minha língua e voltar atrás nos pensamentos. E a verdade é que eu amo a Argentina. Vivendo no Uruguai, eu passei a respeitar esse lugar. Taí a verdade. Que comecem os apedrejamentos.

O meu apelo, justo e sincero, é que tudo isso que presenciei aqui não se concretize nunca como um adeus absoluto.

“O mundo começa agora
Apenas começamos”
Renato Russo – Metal Contra as Nuvens

Posted in Uncategorized | Leave a comment

se eu pudesse resumir…

…eu diria que novembro foi o mês mais intenso por aqui. Talvez por isso eu tenha postado tão pouco e estado um pouco distante dos devaneios cibernéticos que faço no blog. Éramos 15. A primeira a deixar o barco foi a Gabi, da Argentina, que estudava Direito. Como isso foi láá no começo da jornada, a galera se recuperou relativamente bem da baixa. Entre idas e vindas, muita gente já passou pelo grupo, afinal morar em um hostel não é exclusividade nossa. No final tudo acaba virando gente da gente e o caldeirão cultural ferve ainda mais.

Há quase um mês a Angela, colombiana e também de Direito, regressou a sua boa e velha Miraflores. Essa partida doeu mais porque os motivos foram mais sérios… saúde é um troço importante, não dá pra ficar marcando fita, não. Foi dolorido, ela não queria ir. O clima por aqui deu uma pesada. Ela era um luzinha baxinha e loira que pentelhava todo mundo o dia inteiro.

Tá muito além de tudo isso, claro. Mas o mês de novembro foi, de longe, o mais intenso aqui. E nesse começo de dezembro a tendência é piorar. Nosso calendário já não marca dias de festa, ou aniversários. Marca nossos dias de partida. Não que isso seja triste, afinal todo mundo já tá meio bicha, com saudade de casa. Mas que dá uma pontinha de ruim, isso dá. Ser humano é um bicho esquisito, sofre por todo e qualquer motivo. É um way of life. Sofre por deixar a comodidade de casa, sofre por ter que deixar a incomodidade do hostel. Ai, na próxima quero vir passarinho.

Próximo post, falaremos sobre duas viagens nessa belezura de América do Sul.

Aquele abraço

Time do Montevideo Hostel

Posted in Uncategorized | Tagged , , | Leave a comment

Alguma coisa acontece no meu coração

Mas olha, não são poucas. Ontem vivi um dia tão estranho que não havia maneira de deixar as lembranças irem assim, sem registro. Fiz uma prova (e isso me soa tão juvenil, mas ainda to na faculdade, veja) e fui tão mal, mas tão mal que, de coração, eu tive vergonha de imaginar a cara de quem fosse corrigir aquilo. Queria levar a prova comigo, deixar esse papo de avaliação pra lá. Senta aqui, profe, charlemos un rato sobre las variables intervenientes, predisposición a emigrar, coeficiente gamma y sobre como toda esta mierda influye en mi pobre vida. Mas tá, to longe de querer morrer por conta disso. Não habito a floresta nesse semestre, então tá tudo ok. A Udelar é um universo à parte e merece um post que a represente com exclusividade.

Fato é que depois de entregar a minha vergonha na cara em forma de papel rasurado eu saí do corpo por uns 25 minutos, não sem antes comprar um café dos bons misturado a dois sachês de açucar. No melhor estilo Noiva em Fuga, peguei a primeira coisa que se parecesse com um ônibus e linda e formosa, rumei pra lugar nenhum. E pensei, pensei. Ando meio assim ultimamente, sabe como? Daquele jeito esquisito que a gente fica quando começa a pensar muito. Se paro pra pensar, e tenho parado muito, quase não consigo acompanhar meu próprio ritmo de mudança. Jesus, onde eu vim parar? Quanta coisa nessa porcariazinha de gente que eu sou não existe mais e quantas passaram a existir. O Uruguai não é responsável pela metamorfose, mas de certa maneira viver aqui me tem feito perceber as sutilezas, as pequenas coisas que fazem aquela patcha diferença.

Pensei em Faxinal e no discurso que os caipiras normalmente fazem quando deixam a sua terra pra tentar a sorte grande na cidade. Pouca coisa me restou de lá. E ainda que não pareça, me dói admitir isso. Me lembrei de um dia estar no carro do Mário com a Dalane, a Le e a Thaíse em direção à rodoviária e à minha casa laranja e cheia de sol. Até que a Thaíse, retirante como eu, disse que não passava mais as férias na grande Umuarama, que o lugar dela agora era a capital. Pausa para o drama: COMO, Thaíse, você não vai pra casa?

Um ano e meio depois, faz sentido. Agora é decreto: o que eu escutei naquele dia me fez refletir sobre a possibilidade de adotar uma postura desapegada com relação ao meu lar. Pelo menos enquanto caminho pelas ruas uruguaias. A minha casa, a partir de agora, vai ser onde eu estiver. Minha casa é esse hostel onde eu conheço uma média de 8 pessoas novas por semana e onde eu tenho que tocar a campainha pra entrar. Minha casa agora tem uma bandeira do Uruguai ao lado de um bandeira do meu país. Minha casa tem piano, tem escada, tem alegria e gente o tempo todo.

Faxinal, a amo com toda a minha alma. Minha família que ficou lá, os amigos e os que talvez nem sejam mais dignos dessa classificação também são lembranças que eu não vou perder. Não perco porque tudo isso sou eu, é a minha essência, é a vida que eu tive. A conta no mercado, o café da tarde com as gurias, o bolo, o café, as bolachas, o pão de queijo e as risadas. Meu pai cantando no banheiro depois de caminhar por duas horas com seu boné e sua camiseta cinza. O baile no sábado sim dois não, a volta de carro na rua principal e a choperia da esquina. São as sutilezas, amigos. As mesmas que, se esquecidas, te fazem sentir como quem nunca viveu.

Dopada de pensamentos, tive o estalo que me devolveu à vida como ela é. Tinha aula à tarde e não podia faltar nem com atestado de óbito. Desci e logo subi em outro ônibus rumo ao bairro Buceo, onde está a linda Faculdade de Licenciatura em Ciências da Comunicação.

A reflexão que veio foi a que ficou. Ando tão juvenil, mas acho que, no fim das contas, é isso que todo mundo quer, né não?

Colégio Estadual Éruico Veríssimo - 2006

Posted in Uncategorized | Tagged , , , , | 2 Comments

Ufa!

Na falta de um post grande, lindo e decente, hoje eu quero expressar o alívio em ver o Coxa de volta à elite do futebol brasileiro. Que se afirme, que não assuste/mate/ferre a torcida mais uma vez por pelo menos 20 anos.

Os dias andam agitados no hostel. Finalmente tenho prova (no singular mais fofo do brasil), trabalhos (mil) e um mundo de coisa pra contar.

Grande abraço da dona mais relapsa desse blog, muchachos!

O time d'Alma Guerreira está de volta!

Posted in Uncategorized | Tagged , | 1 Comment

Voltei, olha aí

Tá, tá, eu sei que demorei uma vida pra escrever. É que os últimos dias foram tão maravilhosos, divinos e importantes que eu tava esperando a minha alma voltar pro corpo pra poder retomar as atividades de cada dia. Estive em Curitiba na semana passada e, como eu poderia imaginar e um pouco além, tudo continuava lindo. Mas o que mudou mesmo, e de coração aberto eu agradeço, foi a minha maneira de encarar os velhos sérios problemas. Coisas de vida inteira. Com tudo no seu devido lugar eu posso agora desfrutar de uma tranqüilidade não sentida há muito, muito tempo.

De volta a Montevidéu, onde a rotina de estudos tá dando uma apertada esperta já que estamos há 3 semanas de encerrar o curso, tudo também continua lindo. Já não sei se a melhor parte é ir e ver o quanto as pessoas daqui vão sentir a sua falta ou voltar e ter certeza disso. Mesmo faltando dois meses pro fim do intercâmbio, já tem gringo e brasuca bem triste aqui por ter que voltar pra velha realidade. Talvez isso tenha feito tudo ser tão mais intenso desde que eu voltei. Já passei por um montão de lugares, já fiz grandessíssimos amigos em uma viagem de ônibus e, como to longe de ser a branca de neve, já peguei raiva de gente em menos de 3 semanas.

Acontece que aqui o buraco é bem mais embaixo. Se ter amigos, mas os cabra bom mesmo que tão ali até quando você não quer ninguém por perto, já é um presente, imagine ser jogado numa casa cheia de gente de toda parte e que, de tão diferente, chega a ser parecida com você. Gente que às vezes nem sabe de onde você veio e o que te trouxe pra cá, mas que te confia coisas grandes, das que se compartilha com os verdadeiros amigos e nada mais. Confesso que dormir, acordar, comer e presenciar sempre as mesmas caras é um baita convite pra se deixar levar nessa onda louca que é ter amigos de passagem que são, agora, tão fortes como os que eu deixei. E pra você que acha que é muito cedo pra dizer isso, eu asseguro que a intensidade refuta o tempo.

Bichices à parte, posso dizer que aqui tenho construído mesmo boníssimas amizades. É como se eu já conhecesse cada um, como se elas não fossem estranhas pra mim. Cada um à sua maneira, argentina, americana, brasileira, chilena, colombiana, francesa e paraguaia de ser, me ensina a como lidar com todas as helens que existem desse lado do sul. Essa mescla enorme de línguas, sotaques, maneiras de ser e pensar trouxe pra mim uma enxurrada de verdades. Passei a questionar menos e a me despir das idéias preconcebidas que tinha e, agora, o que me cerca está em aberto e eu posso escolher a qualquer momento do dia para onde eu realmente quero ir.

Posted in Uncategorized | Tagged , , , , | Leave a comment

A greve

O Uruguai tá vivendo momentos muito decisivos. A agitação popular é constante e os reclames vêm de todos os lados: de um lado, o descontentamento  geral pelos baixos salários, em todos os setores da economia local; de outro, o pedido de 6% do PIB para a Educação Básica é uma bandeira que já tremula desde antes da minha chegada.

E tudo isso rolando em um governo de esquerda das boas, com o ex-guerrilheiro, que tem a humildade do Lula combinada a um ar de vô fofinho que eu tenho vontade de esmagar.  Mistura tudo a uma voz forte de quem já lutou por toda a sorte de causas sociais e você vai encontrar a carinha gorda do Pepe Mujica. É o segundo mandato seguido do Partido da Frente Ampla: o primeiro representante de esquerda como chefe máximo de estado foi o médico Tabaré Vázquez.

Mesmo achando o Mujica um gordinho muito do simpático, as sucessivas manifestações tão mostrando que ele tem que ceder bastante pra agradar a geral uruguaia. Amanhã ele e os mais de 1,3 milhões de montevideanos vão enfrentar a primeira greve geral do governo. O negócio é animal mesmo, para ônibus, para banco, para universidade, para o mundo que eu quero ir pro Brasil JUSTO NO DIA DO PARO GERAL, CACETA. É, eu corro riscos de ter o meu lindo avião impedido de voar porque, afinal, se até ônibus para quem sou eu pra querer ir pra minha casa ver minha gente e dormir na minha cama?

Ok que eles tem reivindicações validíssimas: não é só salário, fama e um helicóptero pra fugir. A Convenção Nacional dos Trabalhadores do Uruguai luta também por uma política de industrialização que reanime o Frigorífico Nacional (só lembrando que a exportação de carne é muito forte por aqui), além de um plano agropecuário que seja de nível nacional. Ou seja, o buraco é bem mais embaixo. Aí, claro que entram reclames sobre saúde, educação e moradia. Eles tão muito concentrados em tudo isso e, assim, as greves têm sido cada vez maiores e mais frequentes.

Pra finalizar o nosso papo político, sobre as eleições do Brasil eu tenho bem pouca coisa a dizer. Quero acreditar que os 1,2 milhões de votos do Tiririca foram uma forma de a sociedade civil protestar; fiquei feliz com o índice da Marina, me surpreendeu bastante; fiquei muitíssimo feliz pela eleição do Dr. Rosinha, que não é só um cara gente boa. No mais, depois de ver Alexandre Curi como mais votado e Nelson Justus de novo na Alep, só me resta o silêncio.

Amanhã é dia de voar (ou não) pra Curitiba, que deve me receber com a sua melhor chuva. Tem gente ouvindo Raça Negra por aqui, que saudades do meu gordinho.

Aquele abraço

Eu gosto muito de você, mas se o meu voo for cancelado isso pode mudar, Pepe.

Posted in Uncategorized | Tagged , | 3 Comments

Dia do Patrimônio é o dia mais feliz

Montevidéu tem uma sacada incrível. Todos os anos acontece por aqui o Dia do Patrimônio (que na realidade é um fim de semana), em que todos os museus e teatros da cidade abrem pra receber a galera e, que beleza, grátis! Assim, mesmo tendo aula no sábado de manhã, coisa que até hoje eu não sei onde tava com a cabeça quando escolhi, saí pra um rolê vespertino pra conhecer as maravilhas culturais da cidade cinza.

No Porto cheíssimo, achei tudo tão grande que até fiquei emocionada. Navios enormes, trem antigo, roupas da época que o Artigas era o senhor do engenho por aqui, gente trabalhando: era caixa que subia, gancho que puxava, o troço tava animado. A anta aqui esqueceu de carregar as pilhas da câmera e teve que ficar mendigando uma sobrevida das pobrezinhas, ligando e desligando a cada 10 minutos pra ver se tinha jeito.

A volta pela Cidade Velha fazia lembrar a saudosa rua 25 de março que eu ainda não conheço, mas que, estou certa, é daquilo pra pior. Gente brotando dos prédios como água. Acho que o Uruguai inteiro estava aqui, com alguns plus argentinos. Depois, uma passadinha na Rádio Nacional e um Hotel 4 estrelas (cerca de US$130 a diária, hã) que fica bem na entrada da Cidade Velha. Como o negócio é ter contatos, o Nelson – que trabalha no hostel onde eu moro – deu aquela influída esperta e nos levou pra ver a cidade na terraça do chiquetoso. É como um tudo em um: rambla, porto, portal da ciudadela e 18 de julho em um ângulo digno de uma foto capa de caderno. Não fosse as pilhas, grr.

No domingo, nova maratona. Agora rumo ao Parque do Prado, que ainda to analisando, mas que pode fácil figurar no top 5, categoria lugares. Fomos a dois museus muito bacanas, lugares antigaços, que cheiram a história. Ali pertinho, passamos num jardim japonês tão bem cuidado que dá pena de entrar de tênis. O ímpeto é de tirar, porque, minha gente, o negócio era de outro planeta de lindo.

Fome mais tickets alimentação igual a pão com presunto e queijo e coca cola no parque. Enquanto o  núcleo feminino se preparava pra cesta pós refeição, a piazada, hiperativa pra cacete, improvisou uma bola de sacola e organizou o clássico Brasil x resto do mundo. Lances de muita malemolência e habilidade até a coitadinha ceder e se partir em um monte de lixo na grama.

Feito isso, foi esperar o ônibus e voltar pra parte urbanizada na cidade cinza. Mas com aquela alegriazinha quase infantil de quem teve um dia perfeito, cacete que lugar lindo, vamos voltar mais vezes, por que a gente nunca fez isso antes? E, pra fechar o dia de turista sem chapéu, fomos ver o candonbe, parada obrigatória pra qualquer um que venha pra cá. Seria algo muito próximo do maracatu, Olodum e derivados. Tudo muito colorido, tambores esquentando no fogo e fila na beira da rua estreita pra ver passar o desfile.

Uma coisa muito sensacional e que me soou como lição de vida foram as mulheres do candonbe. Algumas estavam semi nuas e não tinham um corpo maravilhoso segundo os padrões de estética e qualidade da ABNT. Quem disse que tavam aí? Queriam mais era dançar como se não houvesse amanhã e sorriam como se só isso bastasse. Fica aí a reflexão pra você que, como eu, tá pensando em não colocar um biquíni antes de emagrecer pelo menos 17 quilos. Existem coisas além da barriga chapada e isso não deveria ser novidade. Se joga, mulher, vai dançar e pára de se preocupar com que roupa você vai no samba que ele te convidou.

Aquele abraço

Eva

Tá loco de lindo

Feliz até na hora de voltar pra casa

Jardim Japonês mais lindo da vida

Posted in Uncategorized | Tagged , | 5 Comments

A você…

…que é dono de todo o amor, o mais feliz de todos os aniversários.

Sempre juntos.

Tá ficando velhinho, o amô

Posted in Uncategorized | Tagged , , | 2 Comments